Entrevista cedida ao site Mundo do Handebol
Postagem original click Aqui: Mundo do Handebol - MdH
Entrevista com Djhandro Ricardo
O MDH foi até o estado do Ceará entrevista o auxiliar técnico da Seleção Brasileira de Handebol Djhandro Ricardo para saber como o ex-capitão da seleção esta se adaptando nesta nova função
O MDH foi até o estado do Ceará entrevista o auxiliar técnico da Seleção Brasileira de Handebol Djhandro Ricardo para saber como o ex-capitão da seleção esta se adaptando nesta nova função, já sendo campeão Pan-americano em sua primeira competição compondo a comissão técnica.
Mundo do Handebol- Djhandro, conte para nossos leitores um pouco da sua trajetória no handebol, tanto na quadra como na areia, como tudo começou?
Djhandro Ricardo – Iniciei no Handebol aos 11 anos de idade, no bairro onde morava na cidade de Maracanaú. Um dos momentos fundamentais para minha permanência na modalidade passou pelo fato de ter encontrado um treinador que me disse as seguintes palavras: “Meu filho vá para casa, isso aqui não é pra você!”, fui persistente e determinado e à custa de muito trabalho consegui convocações para seleções cadetes e juvenis. Morei dois anos no Rio de Janeiro jogando handebol, com passagem pelo Vasco e UNIVERSO, participei de uma Liga Nacional, e construi neste período uma parte importante de minha vida pessoal e esportiva. Retornei para o Ceará em 2005 e retomei meus estudos, trabalho e faculdade tomavam a maior parte do meu tempo até conhecer o Beach Handball em 2006, paixão a primeira vista. Fiz parte acredito de uma das mais belas histórias do handebol brasileiro ao lado de um grupo fabuloso, o Campeonato Mundial de 2006 no Rio de Janeiro me apresentou um esporte que eu não conhecia, me trouxe experiências enriquecedoras relacionadas a diversos aspectos de minha vida pessoal e me reaproximou da modalidade (handebol) num momento de muitas dúvidas e definições em relação a futuro. Sou muito grato a tudo isso!
MDH - Todos os atletas têm seus ídolos no início de carreira e companheiros de time e/ou seleções que cresce junto com eles até se transformarem ou não em ídolos. Conte aos leitores do MDH um pouco dos seus dentro e fora das quadras.
DR- Dentro da quadra nunca abandonei o Ceará, lembro sempre de muitas figuras que me serviram de referência na modalidade, dentre eles Jefte, que amadureceu na modalidade bem antes de eu começar a jogar, Malveira, Ilo Quevedo, Alexandre, Vivi, lembro-me deles, pois não representavam somente atletas, eram e são pessoas que viviam e se divertiam com a modalidade e tocavam suas vidas de maneira responsável. Também tive muitos técnicos como Itamar Júnior, Ilo Quevedo, Aricleiton, Carlos Roosewelt, Iberê Caldas, Alex Dourado, e uma pessoa que devo eternos agradecimentos chamado, Roberto Gomes (Negão). Todos são ídolos, acredito mesmo nisso, cresci assistindo SB, Lúcio Mauro, Xexa, Helinho, Macarrão, e muitos outros em um tempo onde o vídeo cassete era ferramenta indispensável aos amantes do handebol. Hoje possuo novos ídolos, esses com a tietagem controlada para não interferir nas decisões que virão, mas aprendi a admirar Bruno Carlos, Gil Vicente, Cyrillo Avelino, Guerra Peixe, e outros, pelo que fazem e o que ainda pretendem fazer pelo esporte do Brasil.
MDH- Muito importante para nossos futuros atletas de handebol saberem de você que já tem como atleta e agora, como técnico, saber como foi sua trajetória desde a escola até a universidade? Fácil, difícil? O quanto é importante para sua vida “paralela” as quadras, a formação acadêmica?
DR- Sempre me perguntei como seria minha vida quando eu parasse de jogar, isso realmente me incomodava, vive e conheci pessoas e lugares, realidades muitas vezes diferentes da minha e me perguntava quanto tempo isso iria durar. Descobri que se seguisse numa vida acadêmica minha vida útil dentro da modalidade seria alongada e percebi também que caso tomasse essa decisão teria que estabelecer prioridades. Durante bastante tempo dividi meu tempo entre os treinos e a faculdade. Nunca abandonei nenhum dos dois. Diferentemente de umas poucas localidades do país não se consegui viver somente jogando handebol no Ceará, o tempo passa a idade trás novas responsabilidades, os planos mudam e a gente se adéqua. Hoje tenho uma profissão, sou realizado no que faço e pretendo alçar vôos mais altos, e só precisei estabelecer prioridades e tomar a decisão.
MDH- No seu estado (Ceará), assim como acontece em grande parte dos estados brasileiros, atualmente não existem equipes disputando campeonatos nacionais (Liga nacional indoor e Campeonato Brasileiro de handebol de areia) mesmo tendo bons atletas cedidos a outras equipes participantes nestes campeonatos. O que falta para o Ceará “decolar”?
DR- Todos os estados possuem particularidades em relação a como é conduzida a modalidade internamente, em relação a quadra a modalidade continua produzindo, os problemas são de ordem estrutural, de gestão, sabemos que precisamos de uma imagem renovada da modalidade, precisamos de credibilidade e idéias novas, durante algum tempo tivemos a LIGA CEARENSE que contribuiu bastante para que esse pensamento permanecesse vivo, e agora temos a FEDERAÇÃO DE HANDEBOL DO ESTADO DO CEARÁ, fundada recentemente e que de uma maneira mais participativa pretende emplacar nossas pretensões. Neste momento é preciso estar dispostos a ajudar. No handebol de areia possuímos potencial para voltar ao cenário nacional com propriedade, mas de nada significaria se não estivéssemos também estruturados em nosso estado. Em primeira análise todos estão dispostos a ajudar, porem poucos na realidade estão disponíveis para contribuir de alguma forma. Durante muito tempo foi assim. Esses anos estão decididos a tomar a frente deste projeto, não é a primeira tentativa, no entanto, agora não preciso dividir meu tempo entre atleta e organizador, essa confusão pode ser simples para uns para mim não se mostrou tão simples assim.
MDH- As competições escolares regionais (olimpíadas escolares e olimpíadas universitárias) hoje em dia, são as únicas competições que temos todos os estados participando em uma competição a nível nacional. Isso prova que temos sim, praticantes em todos os estados do Brasil, que ajudaria e muito a reforçar clubes na montagem de equipes para disputar campeonatos nacionais. Em sua opinião que falta no aspecto de organização para os estados que não estão participando de campeonatos nacionais da confederação venham a participar?
DR- Primeiramente devemos discutir com quem organiza as competições formas de tornar essas competições mais interessantes e mais viáveis para quem participa. Falo de atletas, técnicos, dirigentes, patrocinadores, e outros, isso tudo passa desde uma maior valorização do atleta como personagem principal do espetáculo, até a exposição massiva dos colaboradores. O que se ganha participando destes campeonatos? Quem ganha? Todos saem ganhando? Precisamos responder estas e outras indagações juntos.
MDH- Você é um dos grandes nomes na história do handebol de areia, porém também nas quadras é importantíssimo como representante do Ceará no cenário nacional. O não conhecimento dos atletas mais novos sobre a história que você e outros atletas (por exemplo, Darlene Soares e Nailson Amaral) construíram se mais divulgados pela mídia fossem, poderiam aumentar e estimular a prática do handebol de areia no seu Estado?
DR- Certamente, valorizo muito esse aspecto pelo fato de achar que nunca somos suficientes, nada se constrói no vácuo, somos fruto de tudo que vivemos e isso passa pela obra de outros que vieram antes de nós. Recentemente fui convidado para ser padrinho dos atletas do PROJETO CEARÁ NOSSO HANDEBOL, que tem a direção do professor Kley Mark, segundo ele minha vivência dentro da modalidade pode influenciar outros jovens a trilhar caminhos de sucesso. Fiquei feliz com o convite e ao mesmo tempo em que assumi essa responsabilidade vislumbrei a necessidade de apresentar-me para eles como uma pequena página de uma história bem maior, e mais rica, onde eles também são personagens.
MDH- A sua lesão lhe forçou a se afastar da seleção brasileira, apesar da sua luta e de toda comissão para recuperá-lo e continuar servindo a seleção brasileira, mas infelizmente não foi possível. Quando você sentiu que a lesão poderia afastá-lo, o que passou pela sua cabeça?
DR- Ninguém deseja uma lesão, quando percebi que essa lesão poderia me afastar, comuniquei a comissão técnica e ela me afastou, os atletas precisam compreender que na seleção precisamos dos melhores atletas em perfeita condição. Quem conhece a carga de exigência que um atleta de handebol de areia suporta durante uma fase de treinamento não pode conceber todo esse trabalho correr o risco de ser desperdiçado por uma vaidade, por exemplo. Ou seja, gostaria muito de está lá, mas existiam outros em melhores condições naquele momento. Na verdade durante meu período lesionado nunca deixei de ser atleta da seleção, tenho um pensamento muito bem formado em relação a isso, das vezes que solicitei dispensa ou fui cortado, sempre encarei como mais uma oportunidade de voltar melhor e mais preparado, por esta razão torci pelos meus companheiros em dois jogos sul americanos de praia e um mundial. O convite para compor a comissão técnica é que mudou meus planos, caso não tivesse acontecido me veriam em muitos brasileiros e certamente brigaria em outras seletivas para retornar ao grupo. Apesar de ter consciência que o perfil de atleta de nossa seleção é cada vez mais exigente.
MDH- Como surgiu o convite para assumir o cargo de auxiliar técnico da seleção brasileira?
DR- Os atletas da seleção naturalmente me reconheceram como um líder, e sempre procurei ser um, despertar para um potencial de liderança pode ser considerada uma vitória, quando se viveu uma adolescência tímida e retraída, me considero um vencedor. Isso aliado a minha inquieta curiosidade e vontade de contribuir deve ter chamado a atenção dos diretores e de repente acharam que ainda posso colaborar de alguma forma com essa seleção, agora fora das quatro linhas. Agradeço muito pela oportunidade e estou tentando corresponder da melhor forma.
MDH- Qual foi a sensação de conquistar seu primeiro título (como comissão técnica) pela seleção brasileira?
DR- Sensacional, descobri que tenho muito que aprender, e descobri também que não posso mais entrar na quadra para tirar aquela bola. É um aprendizado constante onde devo passa por uma mudança de atitude, comportamento, lidando de forma mais sensata com as relações, mas algo que não pretendo abandonar é o perfil guerreiro e alegre que me colocasse onde estou hoje.
MDH- Além de componente da comissão técnica da seleção brasileira, você que é Professor de Ed.Física por formação já é atuante na área, pode nos contar um pouco deste seu lado Profissional ?
DR- Posso sim, como atleta sempre fui vibrador, gosto de treinar (acredito no treinamento), tenho o pensamento de que o atleta deve caminhar para um ser autônomo, participativo, capaz de tomar por conta própria as decisões certas, consciente de sua responsabilidade social... Enfim, não vejo meus alunos com metas diferentes, e sei que isso é conseguido a custa de muito trabalho não me considera acomodado e luto para ver a educação física equiparada a outras profissões, nunca como sub-profissão, e começo essa mudança dentro da minha escola, na universidade onde atuo como técnico de handebol, e assumo essa postura no meu dia-dia.
MDH- Quais seus planos para o futuro?
DR-. Na seleção pretendo me firmar junto à comissão técnica. Teremos mais um mundial para conquistar e os planos são direcionados para este objetivo maior. Acredito que no próximo campeonato brasileiro de handebol de areia já participarei na condição de técnico, com equipes do Ceará. Minha universidade (UFC) terá compromissos importantes este ano, como as etapas finais JUB’s e da LDU. Estamos trabalhando para obtermos sucesso. Será um ano grandioso para o handebol brasileiro com certeza e espero dar minha contribuição, seja dentro da quadra ou fora dela, sim, dentro da quadra por que agora sou padrinho de mais de 50 crianças do PROJETO CEARÁ NOSSO HANDEBOL, a maior parte delas nunca me viu jogar, ainda tenho 30 anos e refleti bastante sobre esta situação, apesar de ser somente aqui no estado, ainda é cedo pra encerrar a carreira.
MDH- Djhandro nós do MDH queremos te agradecer a entrevista, nesta luta de construção do registro da história do handebol e handebol de areia, desejamos toda sorte do mundo no mundial de Omã, e que você junto com todos da seleção brasileira tragam mais este título pra nosso país, e que você continue nesta luta pelo engrandecimento do handebol brasileiro, Queríamos te pedir para que deixasse uma última mensagem a todos nós amantes incondicionais desta querida modalidade:
DR- Pois bem, uma última mensagem... Cara... Desejamos sempre fazer parte dos melhores momentos do handebol do Brasil, quem compartilha desta idéia não pode abrir mão de ser cúmplice de suas falhas e derrotas, seria um egoísmo. Espero que minhas palavras tenham atingido o objetivo esperado, espero ter contribuído com minhas vivências com a melhoria do pensamento em relação ao handebol, o handebol de areia e permaneço a disposição para continuar fazendo que esse esporte transforme e construa vidas, assim como fez comigo. Obrigado!

Nenhum comentário:
Postar um comentário